domingo, 15 de fevereiro de 2009

Patagón I - Seguindo ao sul

Ainda no dia 8 de março de 2006. Finalmente havíamos entrado no norte da Patagônia argentina. Seguíamos pela ruta nacional 22 e, depois de Rio Colorado, tomaríamos a ruta nacional 251, em direção ao sul, ingressando na Província de Rio Negro.


Tomando esta última estrada são 118 quilômetros de uma região bastante árida e solitária, conhecida como Bajo de la Calandria, até chegar em General Conesa. Creio que este foi o primeiro "bajo" que impressionou a todos na viagem, pois eles são, na verdade, grandes depressões no terreno que possuem contornos imensos. Este em especial reservou-nos uma emoção adicional. O vento patagônico começou a apertar e mostrou um pouco da sua força. Uma gigantesca nuvem de poeira, com várias dezenas de metros de altura, muito extensa, estava formada no interior do bajo. Podíamos avistá-la da estrada, ainda na borda da depressão. Eu diria tratar-se de uma grande tempestade de areia, deslocando-se de oeste para leste, e que cruzava bem em nosso caminho. Mesmo assim, seguimos adiante, ignorando a força do fenômeno. Certamente foi perigoso quando cruzamos aquela nuvem, pois o vento apertou mais ainda. A visibilidade tornou-se praticamente nula. Os carros sacolejaram bastante e foram açoitados pela terra e areia lançada com força pelo vento. Os braços tiveram que ser firmes no volante para manter o rumo na estrada. Para nossa sorte, passamos incólumes! A Márcia confessou depois que ficou um bocado assustada e pensou: "Meu Deus, se a Patagônia é assim, eu não vou sair viva daqui com tanto pó!" Da próxima vez, seria melhor esperar mais um pouco e não cruzar no caminho de uma tempestade!

Chegando em General Conesa cruzamos uma ponte metálica sobre o belo e caudaloso rio Negro, com uma tonalidade esverdeada que me trouxe uma sensação de montanha, embora estivéssemos longe da Cordilheira. Na verdade, este era o marco geográfico norte da Patagônia argentina. Depois das fortes emoções, resolvemos parar num restaurante de estrada para almoçar e descansar. Daqui para diante a paisagem passaria a ser ainda mais desértica e solitária. Estávamos entrando na estepe patagônica.

Um comentário:

Alvaro e Adelaide mundo afora disse...

Olá Evandro.

Navegando pela Internet descobri teu blog. Parabéns: muito bom. Nós (eu e minha esposa) também temos um blog. Tomei a liberdade de inserir um link do teu blog no nosso, na seção seleção de blogs. Nós também concluímos agora em Janeiro uma viagem de 25 dias a Patagônia e Terra do Fogo. Dá uma conferida e se puderes deixa lá o teu comentário. O relato da viagem ao Fim do mundo está em um link específico com relato e imagens dia a dia da viagem. Nosso blog: http://alvaroeadelaidemundoafora.blogspot.com
Abraço e mais uma vez parabéns.
Álvaro e Adelaide

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