domingo, 12 de dezembro de 2010

Expedição Inti & Killa II - Décimo-sétimo e décimo oitavo dias - 20/09/2010 e 21/09/2010 - II

Dia 20, ainda. Depois dos desafios impostos pela fronteira boliviana seguimos em frente na direção de La Paz, localizada uns 100 quilômetros adiante. E não tínhamos nenhuma intenção de visitar a maior cidade do país. Somado a isso ficamos bastante preocupados com a perda de tempo que tivemos na aduana, pois eu tinha idéia de tocar até Potosi, mas com o tempo gasto já começara a pensar nas alternativas que teríamos no caminho.
Até La Paz seguimos tranquilos pela Ruta 1, mas quando chegamos na região metropolitana a coisa esquentou. La Paz é uma cidade grande, com mais de dois milhões de habitantes e um trânsito muito caótico. E nessas condições, mesmo com o auxílio do GPS, eu não poderia errar o caminho, pois isto representaria mais perda de tempo e dores de cabeça para voltar à estrada. Enfrentamos avenidas com tráfego pesado e engarrafamentos de carros, vans de transporte coletivo, caminhões e muitos, mas muitos pedestres caminhando e correndo por entre os veículos. Rezamos para não enfrentarmos uma colisão ou atropelamento, coisa que parece muito fácil de acontecer! Fomos seguindo devagar, com muita atenção, não erramos o caminho e aos poucos fomos nos afastando do centro urbano. Ufaaa!!!
Depois da capital de fato esperava caminho livre até Potosi, mas já estava pensando numa alternativa onde poderíamos dormir para não viajar durante a noite. Porém, o tráfego após La Paz continuou pesado, com muitos caminhões na estrada nos dois sentidos e grande dificuldade para fazer as ultrapassagens, pois a estrada está localizada numa região de colinas, com subidas e descidas constantes. Depois que passamos por uma estação de pedágios começei a vencer vários caminhões e acelerei mais para retomar o ritmo de viagem. E aí foi o nosso azar! Quando começamos a descer o topo de uma dessas colinas fomos apanhados por uma patrulha rodoviária! Um dos guardas agitou vigorosamente uma bandeira vermelha fazendo sinal para encostarmos. Pensei comigo mesmo: "Agora estamos ralados!!!". Eu não tinha nada para discutir, pois vinha a uns 110 km/h e o limite era de 80. Quando paramos os guardas deram uma dura danada, mostraram o registro no radar e um livreto com a legislação que tínhamos infringido. Falou que teríamos que retornar até o posto policial para preenchimento da multa, etc, etc. Eu fiquei frio, calmo e submisso, pois isto seria o caos para nós! Ainda assim, resolvi arriscar e perguntar se não poderia pagar a multa alí mesmo. Bom, foi a deixa que ele queria ouvir. Mandou que eu descesse e fosse até a viatura. O discurso mudou radicalmente e tudo ficou mais calmo. Disse que não queria nos causar prejuízo e se pudéssemos alcançar uma importância tudo estaria resolvido. A multa era de 200 bolivianos! Voltei para o carro pensando rápido e conversei com a Márcia. Nosso dinheiro estava contadinho, mas não tínhamos outra alternativa. Era pagar ou ficar encrencado com a polícia naquele cafundó. Achei que poderíamos alcançar 100 bolivianos e se precisássemos poderíamos fazer novo câmbio em Potosi. Voltei até o carro da patrulha e ofereci a quantia. Disse que era o que dispunha, pois tinha mais despesas no caminho. O patrulheiro pegou a grana e devolveu a minha carteira de motorista. Advertiu-me para que eu dirigisse devagar e que só estava querendo ajudar! Não queria que eu ficasse com má impressão do país. Tá bom! Agradeci e disse que tomaria mais cuidado com a velocidade. Voltei para o carro e tratamos de cair fora rapidinho. Ainda que essa situação tenha sido "resolvida" com o menor prejuízo para a viagem, andamos muitos e muitos quilômetros amuados com aquele episódio. Nesse tipo de situação, que não era a primeira vez que enfrentávamos em nossas viagens, a gente fica muito desprotegido e com uma sensação de insegurança muito grande. Também não é nada agradável ter que pagar propinas, mas a desvantagem da situação é tal e a encrenca pode se tornar tão grande que o negócio é tentar encerrar a situação o mais rápido possível. Alguém já viu aquela série "Férias na Prisão"?!!
Seguimos mais devagar e passamos por Oruro. Seria um bom local para o pouso, mas ainda era cedo para encerrar o dia e resolvemos seguir em frente. Quando a noite já estava caindo encontramos uma alternativa para dormir em Challapata, num hotelzinho muito, muito simples, o Residencial Diar. Porém tinha o básico e necessário: uma cama limpa para dormir, banho e um lugar para guardar o carro. No dia seguinte, 21, acordamos às 5 horas da manhã para terminar o capítulo da Bolívia. Valeu!


4 comentários:

Carla e Élio disse...

Que bom que vc voltou... Estava com sdds de suas histórias...

Evandro Colares disse...

Olá, Carla! Às vezes falta tempo para o blog. São vicissitudes de amador! Abraço e muito obrigado pela visita!

Claudio disse...

São situações delicadas, Evandro, e foi bom que as coisas tenham se "resolvido" bem e rapidamente, quanto mais o tempo passa numa encrenca dessas, pior. Abraço.

Evandro Colares disse...

Oi, Cláudio! Tudo bem? Pois é, já passamos por esse tipo de situação outras vezes. Não tem escapatória, pois se você não faz algum tipo de "acordo" os caras te ferram. Eles sabem que estão com ampla vantagem e se aproveitam muito bem da situação. De tudo o que já fizemos em nossas viagens essas "mordidas" são o capítulo mais triste! Eu tenho que relatar, pois quem opta em aventurar pela América do Sul pode passar por esse tipo de situação! Abraço!

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