terça-feira, 9 de março de 2010

Desvendando o mistério das árvores mortas - 26/04/2009


Conforme eu comentara no penúltimo post, o 100º deste blog, tratando da nossa chegada em Puerto Tranquilo, já vinha de muitos quilômetros despertada a minha curiosidade com o vasto número de troncos de árvores mortas nas encontas das montanhas ao longo da Austral. A foto abaixo, embora não seja um primor de fotografia, pode dar uma boa idéia sobre o que eu estou falando. É possível visualizar a floresta temperada verde e, destacando-se na paisagem, encosta acima, um paliteiro de imensas árvores secas e mortas. O detalhe é que o tronco dessas árvores mortas ultrapassa em vários metros o dossel (estrato superior) atual da floresta. Ou seja, a floresta que aqui existiu no passado era muito mais alta, e talvez mais viçosa, que a existente nos dias atuais. Qual seria a explicação para esta situação?




Pois bem, depois que nos instalamos na cabana, passada a hora do chimarrão e do aperitivo, dos banhos tomados, fomos jantar no restaurante da hosteria. Conversei então com o proprietário, o Sr. William López Pinuer, comentando da minha curiosidade sobre o fenômeno que vinha observando. O Sr. William, um descendente direto dos colonizadores da região, explicou-me que todas aquelas árvores haviam sido mortas em fabulosos incêndios florestais no início do século passado. Até aí, tudo bem! Parece tão óbvio! Só que o detalhe é o seguinte: foram incêndios promovidos pelo ser humano, incentivados pelo governo chileno da época. A condição "sine qua non" para os colonos garantirem a posse das áreas distribuídas era o desmatamento e a ocupação de vastíssimas áreas de floresta. Então, todos os que vinham para cá eram na verdade compelidos a desmatar. E a forma mais rápida era através do uso do fogo. Obviamente que, numa região de fortes ventos, os incêndios criados foram descomunais e incontroláveis. O que se vê de floresta hoje em dia é o restou ou o que cresceu após a severa intervenção humana na região. Transcrevo trecho do site Patagonia sin represas que explica direitinho esta passagem histórica:

La Patagonia / Errores del Pasado

Incendios

No existen antecedentes que señalen que los pobladores originales de nuestra Patagonia hayan utilizado el fuego para eliminar la vegetación nativa; por el contrario, convivieron con ella en armonía.
En 1830, Darwin calificó a los patagones como la peor etnia del planeta. En 1870, ingleses, yugoslavos y españoles, además de perpetrar su genocidio, quemaron 3.120.000 hectáreas de bosque de lenga y coigüe, lo que se evidencia en los millones de troncos quemados por doquier. Con ese nefasto ejemplo el gobierno de Chile inició la colonización de la cordillera de la Costa, Collipulli y Traiguén, proceso que terminó con 5.500.000 hectáreas erosionadas. Los colonizadores australes anillaron árboles para que se secaran en pie, y avivaron las quemas con los fuertes vientos de la primavera.
Los pioneros en la Patagonia realizaron algo similar como acción derivada de una equivocada política de la Caja de Colonización. En forma contradictoria la política pública reflejada en la ley de colonización fue la causante de gigantescos incendios forestales. A partir de 1937, se entregaron tierras en forma oficial a los primeros colonos, pero con la condición de que cada uno comenzara eliminando 120 hectáreas de bosque en su predio, lo que se hizo a fuego… Así, a punta de fuego, se colonizó la Patagonia. Esta es la impronta histórica que en gran medida determina su situación actual.
En las décadas de 1940-50 en el valle Emperador Guillermo se realizó la quema de su vegetación, de esta forma se aceleró el escurrimiento de las aguas superficiales y la energía erosiva arrasó todo un manto de suelos volcánicos profundos, transformando las laderas y el fondo del valle en roqueríos y pedregales.
En todos estos casos no se estudiaron ni se respetaron la biodiversidad y las características de los jóvenes suelos.
En el valle del río Simpson miles de quemas dejaron el suelo descubierto y las rocas subyacentes sirvieron de superficie de deslizamiento. En 1961, producto de lluvias torrenciales, enormes bloques de tierra y bosque se deslizaron ladera abajo colmatando el río, que dejó de ser navegable. Puerto Aysén perdió su condición de tal y el puerto tuvo que ser trasladado a Bahía Chacabuco, con consecuencias territoriales, sociales y económicas que nunca han sido debidamente analizadas. Felizmente, todavía existen vastas áreas verdes cubiertas de bosque nativo en Patagonia. Es probable que a causa del cambio climático, muchos chilenos y otras personas necesiten en el futuro establecerse en este, aún, bendito lugar.

Pois é, triste não é mesmo? E o pior de tudo. Não se conseguiu aprender nada com os erros cometidos no passado! Para que criticar os chilenos e seus antepassados colonizadores se nós, brasileiros, assistimos todos os anos, em pleno século 21, a divulgação de queimadas em milhares e milhares de hectares de  Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa? Ou seja, queimadas em todos os biomas do Brasil! E quer saber mais, tudo isso financiado pelos bancos do Governo, para "expandir as fronteiras agrícolas" e desenvolver o "agronegócio"! Lamentavelmente, até hoje não somos capazes de encontrar um modo de desenvolvimento que respeite o necessário e imprescindível convívio entre o ser humano e a natureza.
Lições e reflexões aprendidas na longínqua e querida Patagônia!

2 comentários:

info disse...

Evandro e muito lamentable que o Charles Darwin forneciera o apoio com suas teorias para a exterminação dos patagones.

Isso feito por pessoas muito mais "evolucionadas" nhe!!!??

Parabens por o seu relato!! Abraço

Evandro Colares disse...

Oi, Pablo "info"! Grato pela visita e pelo seu comentário. Realmente, Darwin, apesar da sua extraordinária contribuição para a ciência moderna, deu uma grande mancada ao desqualificar os patagones. Continue nos acompanhando. Abraço!

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