quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O vulcão Hudson e o Bosque Muerto

Quando estivemos na Patagônia chilena, especificamente na Carretera Austral, em 2009, vimos de perto o efeito das erupções do vulcão Hudson na comunidade de Rio Ibañez. As erupções maiores ocorreram em 1971 e 1991. E agora está ocorrendo novamente, pois o vulcão está em atividade, conforme noticias dos últimos dias. Interessante, o intervalo entre essas duas erupções históricas é de 20 anos e agora, passados mais 20 anos, o vulcão manifesta-se novamente. A foto abaixo, divulgada pelo Tiempo Patagónico, mostra a atividade recente do Hudson, não estando descartada uma erupção de maiores proporções.


Mas quando passamos pela região em 2009 não conseguimos avistar o vulcão, pois ele está em áreas elevadas da cordilheira dos Andes, quase sempre encobertas por nebulosidade. Pudemos ver o resultado impressionante das erupções, que é o "Bosque Muerto". A respeito desse bosque eu já escrevi um post ano passado.
Agora, para relembrar aquele momento, deixo mais algumas fotos que mostram os efeitos da cinza vulcânica que foram carreadas para o leito do Rio Ibañez nas erupções de 1971 e 1991. O "Bosque Muerto", com seu cenário silencioso e tétrico, é uma atração para quem trafega pela Carretera. Serve também para nos lembrar da força da natureza! Como ele ficará se uma nova erupção estrondosa do Hudson ocorrer?!













segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um bom motivo para visitar o Nordeste!

Já faz muitos e muitos anos que uma viagem ao Nordeste do Brasil andava pela cabeça, mas não acontecia nunca, por incrível que possa parecer! A ideia ia e vinha, era lembrada e depois esquecida, cogitada, mas invariavelmente adiada; em outras preterida pelo que vem primeiro, tudo muito ao sabor dos ventos rondantes. Sem sombra de dúvidas, as viagens pelos caminhos da Patagônia e as demais feitas em outras partes da Argentina e do Chile, no Uruguai, Bolívia, Peru e na Colômbia tomaram conta do pedaço nos últimos anos. Mas eu tinha até um certo desconforto comigo mesmo; um desconforto com a minha condição de brasileiro. Poxa, já estivera na Inglaterra, França e Itália; poderia contar as belezas da Argentina que fariam inveja para a maioria dos "hermanos", já visitara tantos desses interessantes países sul-americanos, percorrendo as suas entranhas, mas ainda não conseguira uma oportunidade para visitar o nascedouro do Brasil, a região Nordeste. Para mim era uma dívida não paga. Devia, não poderia negar, tinha lá meus motivos; mas queria pagar a dívida!
O engraçado é que essa viagem começou a ser gestada, inconscientemente, em 2010, no Estado do Rio de Janeiro. As lindas águas de Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo foram as culpadas! Depois de muitas aventuras em paisagens deslumbrantes nas estepes, florestas andinas, montanhas e desertos multicoloridos do Cone Sul, as praias do estado da Guanabara devolveram-me um sonho de menino e rapaz! Era algo para variar, para valorizar o Brasil, prestigiar o nosso litoral. E bastaram três apnéias, três brincadeiras inocentes com máscara e snorkel, três encontros vertiginosos com tartarugas, para eu relembrar o sonho que tinha ficado bem lá para detrás, logo depois que eu tranquei a Oceanologia em Rio Grande, nos idos oitenta e picos. O mergulho, sim, o mergulho era um sonho de garoto que pensou um dia mergulhar no azul profundo como se fosse Cousteau, um Jacques, um Jean-Michel, um Philippe. Mas não dava, ou eu achei que  não dava; foram anos de chumbo, de inflação, das décadas perdidas para o Brasil, do país do futuro que não chegaria nunca. A vela foi a grande companhia que me manteve próximo das águas, águas turvas do querido Guaíba. Mas aí as coisas foram mudando, apareceu a chance novamente, 2011, de novo, agora eu não iria perder a vez! E já surgiu de cara o básico e logo depois o mergulho avançado. Tudo muito rápido, os checkouts da Ilha do Arvoredo para começar, depois o Caribe colombiano, melhor do que eu esperava, muito melhor do que eu imaginava. Por último, as águas da Ilha Grande-RJ, anomalamente frias e turvas para a felicidade do azar, mas com uma turma de mergulhadores e amigos fantásticos acompanhando. E agora, mesmo sabendo da importância histórica do Nordeste no contexto brasileiro, não faltava mais "aquele" bom motivo para eu fazer o pagamento da dívida. De quebra teria o povo, a culinária, a história, a cultura e as praias para aproveitar. Eu já tinha um bom motivo para visitar o Nordeste! 




terça-feira, 20 de setembro de 2011

San Andrés - um paraíso caribenho para finalizar os relatos da Colômbia

Chegou a hora de fechar o capítulo a respeito da Colômbia. Pelo menos por enquanto, hehehe! Mas para finalizar bem escolhi San Andrés, um paraíso colombiano no Caribe. Essa ilha, localizada 800 km ao norte da costa da Colômbia, foi a nossa estada mais longa da viagem, onde relaxamos e curtimos a atmosfera, o ritmo e o mar caribenhos. Tentar descrever o clima desse local seria um gasto energético infrutífero, mas acredito que algumas fotografias que eu selecionei por último poderão ajudar na tarefa.
Acredito que não cheguei a mencionar nos posts anteriores, e se mencionei, repito, que ficamos hospedados afastados 10 minutos do centro de San Andrés, no povoado de San Luís, mais especificamente no Hotel Cocoplum. A Márcia e eu temos esse tendência de buscar lugares mais tranquilos, pois assim ficamos mais confortáveis. E o hotel, que está bem coladinho nas areias da praia de San Luís, é muito bacana, possui arquitetura caribenha, belos jardins, realmente um lugar muito agradável e de bons serviços.
E logo em nossa chegada fomos surpreendidos com um acontecimento insólito. Fomos testemunhas de um romântico casamento nas areias da praia, com direito a  marcha nupcial, entoada por uma banda local, muitas flores e convidados com roupas, camisas e vestidos coloridos! Parecia que nós tínhamos desembarcado em "Feitiço Havaino" (Blue Hawaii), famoso filme de Elvis da década de 1960, que termina com cenas de um casamento "nativo" do personagem Chad Gates. Os pombinhos também chamavam a atenção pela diversidade; ele, um havaiano de quase dois metros, e ela, uma jovem peruana, com seus um metro e sessenta de altura! Foi uma atração e tanto! Esperamos que eles estejam muito felizes!






Rocky Cay, avistada da praia de San Luís.



Outra experiência fantástica na ilha foram os mergulhos no mar "siete colores" de San Andrés. E não é piada não, pois o mar lá é maravilhoso, muito colorido, de ficar com o queixo caído! Os mergulhos foram orientados pela Buzos del Caribedive center com vinte anos de operações na região. Foram oito mergulhos fabulosos e emocionantes, que eu não esquecerei nunca na minha vida! O momento mais "fera" foi o mergulho de 30 metros de profundidade no paredão chamado Blue Wall, que desce até os 300 metros de profundidade. Alí eu consegui entender o significado da expressão deep blue! De quebra ainda encontramos um cação lixa deitado numa fenda e eu pude chegar do ladinho do tubarão; não queria mais nada! Faltaram fotografias das imersões, pois não tenho equipamento adequado para tal, mas a beleza da ilha já dá uma certa ideia do que é possível encontrar nas suas águas quentes. Algumas fotos que disponho foram gentilmente presenteadas a mim pela mergulhadora canadense Nancy Michaud. Embora a Márcia não seja mergulhadora scuba, ela fez uma sessão de snorkeling num dos dias, mesmo sentindo bastante frio, até mesmo em águas do Caribe! E ela gostou bastante!
A noite celestial de San Andrés!
A lancha da Buzos del Caribe. Javi, o simpático Divemaster que orientou as imersões.
Buzos del Caribe - guarda dos equipamentos.
Buzos del Caribe. O gerente e mergulhador Edon Fraile.

Preparação para uma das saídas de mergulho no "deep blue".

Sequência de fotos que recebi de presente da mergulhadora canadense Nancy Michaud.
O resto das memórias subaquáticas eu guardo na cuca!

Um nado junto ao cação-lixa em Blue Wall.





Um dos programas turísticos populares em San Andrés é o snorkeling com as arraias. Tratamos no próprio hotel uma saída para um final de tarde, que é o horário "marcado" com as arraias. O passeio consiste primeiramente num translado de lancha até os bancos de areia próximos dos recifes. Depois os participantes são convidados a saltar da lancha com água pelo peito. Um cabo é lançado e estendido na água para que os turistas agarrem-se nele e sejam rebocados por entre os recifes. No trajeto vão sendo largados pedacinhos de pão que atraem, literalmente, centenas de peixes para o entorno dos turistas. É um festival de cores e formas das diferentes espécies. A Márcia no começo ficou apavorada com a idéia, pois durante o reboque fica-se em águas com profundidades variando entre 5 e 6 metros, ou seja, não dá pé! Mas eu fui ao lado dela para dar apoio moral e terminou que ela curtiu bastante, embora ao final quase estive sofrendo de hipotermia! Tanto que depois ela nem voltou para a água. No segundo momento voltamos até o banco de areia. Então um moço nativo, muito familiarizado com o comportamento das arraias, atrai os animais para próximo da embarcação utilizando pequenos pedaços de peixe. Quando elas se aproximam ao nível da superfície ele as apanha pelas nadadeiras e larga, com carinho, para aqueles com coragem e disposição, sobre os braços dos turistas! Obviamente que eu, biólogo de profissão, fui um dos que experimentou esse contato com as arraias e, sinceramente, senti-me voltando aos tempos de infância, tamanha a alegria que aquela interação com os animais proporcionou-me. Um único cuidado era preciso ter, conforme fomos advertidos! As arraias possuem um ferrão poderoso em suas caudas e nunca se deve apanhá-las pelo posterior do animal, somente pela sua parte anterior. E, é claro, nunca se deve tentar isso sem a devida orientação e acompanhamento de pessoas experimentadas! A interação com animais selvagens é mais segura e tranquila se for feita de maneira passiva e contemplativa. E eu agradeço à Márcia pelas lindas fotos de recordação que ela tirou de mim, bem segura no interior da lancha, pois estava morrendo de medo das arraias que nadavam freneticamente entre as pernas dos turistas, hehehe!!!
Uma única furada em San Andrés! Se te convidarem para conhecer as lagoas internas da ilha, para ver as "babillas" (jacarés) que lá vivem, nem pense em fazer isso, pois é pura perda de tempo! Qualquer lago de parquinho é mais interessante do que as tais lagoas! E com guias informais acerte o preço do serviço antes de aceitar qualquer oferta. No mais é tudo 100%!



Visual "básico" de um  cayo ao redor de San Andrés.
Mais um pouco das brincadeiras com as arraias!
Red Crab, uma banda local de San Andrés que faz um som caribenho muito legal! Animaram as noites no Cocoplum!
Passeio no sul da ilha, visitando o Hoyo Soplador. Um orifício no recife costeiro que pode "cuspir" um jato de água de até 20 metros de altura. Nesse dia ele estava "apenas" soprando, como pode ser visto na foto! 
Márcia com meninos nativos, que compõem a população multiracial descendente de colonos ingleses, escravos africanos e índios nativos. Até hoje eles estudam num sistema inglês, inclusive adotando o idioma, mas também falam o espanhol. Esse é um dos aspectos culturais interessantes de San Andrés.

Ao final, quero deixar uma breve mensagem de agradecimento aos amigos do blog, aos visitantes, àqueles que acompanharam as nossas vivências ao lerem os relatos e apreciarem as fotos postadas. A Colômbia é um pais encantador, de muita diversidade cultural e história contundente, de grande riqueza em sua fauna e flora, e habitado por um povo muito acolhedor e amigo. Se você está com dúvidas em visitar a Colômbia, eu afirmo, esqueça seus temores e caia de cabeça nesse lindo país que possui muito a oferecer ao turismo mundial! Você só terá a ganhar e eles também. Esta é a mensagem que esperamos ter passado em nossos posts! Finalizo deixando um beijão para a minha esposa parceira e amada, pois sem ela a viagem não teria o mesmo encanto! Muito obrigado a todos.

domingo, 21 de agosto de 2011

Cartagena de Índias: miscelâneas!

Por motivos de força maior não tenho produzido novos posts para o blog neste último mês. Mas sobrando um tempinho a gente aparece!

Nos textos anteriores e neste continuo abordando as visitas que fizemos em Cartagena de Índias. O último post tratou da visita ao Cerro La Popa. E na viagem já estava encerrando-se o tempo em Cartagena, pois no dia seguinte seguiríamos para a ilha colombiana de San Andrés, mas ainda fizemos alguns passeios rápidos com o nosso guia, o taxista Raimundo.
Depois que baixamos do Cerro La Popa, o Raimundo nos levou até uma praça que fica logo abaixo do Castillo San Felipe de Barajas. Alí está localizado um interessante monumento em bronze, "Los Zapatos Viejos", que homenageia um renomado poeta da Cidade, Don Luis Carlos López, famoso pelo soneto A mi Ciudad Nativa. Ainda que seja uma homenagem a um cidadão renomado, só posso acreditar que os turistas visitem o local para tirar uma foto de recordação! Então, aproveito para fazer a minha homenagem, reproduzindo a arte do poeta:


A mi Ciudad Nativa

Noble rincón de mis abuelos: nada
como evocar, cruzando callejuelas,
los tiempos de la cruz y la espada,
del ahumado candil y las pajuelas...

Pues ya pasó, ciudad amurallada,
tu edad de folletín... Las carabelas
se fueron para siempre de tu rada...
¡Ya no viene el aceite en botijuelas!

Fuiste heroica en los tiempos coloniales,
cuando tus hijos, águilas caudales,
no eran una caterva de vencejos.

Mas hoy, plena de rancio desaliño,
bien puedes inspirar ese cariño
que uno le tiene a sus zapatos viejos...

Luis Carlos López



Monumento dos "Zapatos viejos". A curtição é tirar uma  foto de recordação!

Depois dos "Zapatos viejos" fomos circular um pouco mais para ver algumas miscelâneas, sem demérito algum, obviamente. Passamos pelo Fuerte San Sebastian del Pastelillo, uma outra fortaleza de Cartagena, onde está localizado um yatch club, clube de pesca e belo restaurante. Nas ruas do bairro de Manga, região tradicional da cidade de Cartagena, conhecemos algumas residências históricas de famílias abastadas do século passado. Raimundo fez questão de nos mostrar essa região, pois é um lugar que está sendo tomado rapidamente pela especulação imobiliária e parte da história da cidade está sendo perdida. Um dos expoentes locais é a Casa Roman, construída em estilo neomudéjar, resultado de uma fusão arquitetônica hispânica e árabe. Por fim tocamos para Bocagrande. Mas só demos uma circulada rápida pela região. É uma área moderna e sofisticada da cidade, onde está localizada a maioria dos melhores hotéis da cidade. Por fim voltamos ao casco histórico de Cartagena e ainda deu tempo para visitarmos o museu do Palacio de la  Inquisición, com suas estranhas peças de tortura medievais. O mais interessante dessa visita foi o palácio em si e a história da Inquisição nas Américas, pois em Cartagena funcionou o principal tribunal do Santo Ofício no continente.
Não poderia encerrar o capítulo de Cartagena de Índias sem dizer que esse local causou uma maravilhosa impressão em Márcia e em mim, motivo que me estimulou a escrever vários posts sobre a Ciudad Amurallada
Yatch clube de Cartagena, com o visual de Bocagrande ao fundo.
A Casa Roman, no bairro de Manga.


Palacio de la Inquisición. Pátio interno.

Uma passada nos balcones do Palacio de La Inquisición, com uma vista privilegiada da Plaza Bolívar.

domingo, 24 de julho de 2011

Cartagena de Índias: Cerro La Popa

Em nosso último post estivemos falando sobre a visita ao Castillo de San Felipe de Barajas, um dos fortes coloniais mais impressionantes construídos pela Espanha no Novo Mundo. Após essa visita tínhamos resolvido voltar para o casco histórico de Cartagena. E como a manhã já seguia avançada e o calor já estava bem forte resolvemos tomar um táxi para poupar o físico. E se você estiver visitando a Colômbia não estranhe se o taxista lhe oferecer algum tipo de serviço turístico. Foi algo bem comum em nossa estada no país. Pois bem, Raimundo, um chofer muito simpático, terminou nos convencendo a fazermos uma visita que já tínhamos descartado, o Cerro La Popa. Esta colina é a principal elevação de Cartagena, com 150 metros de altura e é o local onde foi construído o Convento de Nuestra Señora de la Candelaria, que é a padroeira da cidade. O convento possui uma capela com um lindo retábulo contendo a imagem da Nossa Senhora, além de museu e um belo jardim interno. Mas o que mais causou interesse foi a linda vista panorâmica que conseguimos ter de Cartagena. Depois do cerro seguimos adiante com o Raimundo, visitando outros locais da cidade. Mas fica para o próximo post. Até a próxima!












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