domingo, 21 de agosto de 2011

Cartagena de Índias: miscelâneas!

Por motivos de força maior não tenho produzido novos posts para o blog neste último mês. Mas sobrando um tempinho a gente aparece!

Nos textos anteriores e neste continuo abordando as visitas que fizemos em Cartagena de Índias. O último post tratou da visita ao Cerro La Popa. E na viagem já estava encerrando-se o tempo em Cartagena, pois no dia seguinte seguiríamos para a ilha colombiana de San Andrés, mas ainda fizemos alguns passeios rápidos com o nosso guia, o taxista Raimundo.
Depois que baixamos do Cerro La Popa, o Raimundo nos levou até uma praça que fica logo abaixo do Castillo San Felipe de Barajas. Alí está localizado um interessante monumento em bronze, "Los Zapatos Viejos", que homenageia um renomado poeta da Cidade, Don Luis Carlos López, famoso pelo soneto A mi Ciudad Nativa. Ainda que seja uma homenagem a um cidadão renomado, só posso acreditar que os turistas visitem o local para tirar uma foto de recordação! Então, aproveito para fazer a minha homenagem, reproduzindo a arte do poeta:


A mi Ciudad Nativa

Noble rincón de mis abuelos: nada
como evocar, cruzando callejuelas,
los tiempos de la cruz y la espada,
del ahumado candil y las pajuelas...

Pues ya pasó, ciudad amurallada,
tu edad de folletín... Las carabelas
se fueron para siempre de tu rada...
¡Ya no viene el aceite en botijuelas!

Fuiste heroica en los tiempos coloniales,
cuando tus hijos, águilas caudales,
no eran una caterva de vencejos.

Mas hoy, plena de rancio desaliño,
bien puedes inspirar ese cariño
que uno le tiene a sus zapatos viejos...

Luis Carlos López



Monumento dos "Zapatos viejos". A curtição é tirar uma  foto de recordação!

Depois dos "Zapatos viejos" fomos circular um pouco mais para ver algumas miscelâneas, sem demérito algum, obviamente. Passamos pelo Fuerte San Sebastian del Pastelillo, uma outra fortaleza de Cartagena, onde está localizado um yatch club, clube de pesca e belo restaurante. Nas ruas do bairro de Manga, região tradicional da cidade de Cartagena, conhecemos algumas residências históricas de famílias abastadas do século passado. Raimundo fez questão de nos mostrar essa região, pois é um lugar que está sendo tomado rapidamente pela especulação imobiliária e parte da história da cidade está sendo perdida. Um dos expoentes locais é a Casa Roman, construída em estilo neomudéjar, resultado de uma fusão arquitetônica hispânica e árabe. Por fim tocamos para Bocagrande. Mas só demos uma circulada rápida pela região. É uma área moderna e sofisticada da cidade, onde está localizada a maioria dos melhores hotéis da cidade. Por fim voltamos ao casco histórico de Cartagena e ainda deu tempo para visitarmos o museu do Palacio de la  Inquisición, com suas estranhas peças de tortura medievais. O mais interessante dessa visita foi o palácio em si e a história da Inquisição nas Américas, pois em Cartagena funcionou o principal tribunal do Santo Ofício no continente.
Não poderia encerrar o capítulo de Cartagena de Índias sem dizer que esse local causou uma maravilhosa impressão em Márcia e em mim, motivo que me estimulou a escrever vários posts sobre a Ciudad Amurallada
Yatch clube de Cartagena, com o visual de Bocagrande ao fundo.
A Casa Roman, no bairro de Manga.


Palacio de la Inquisición. Pátio interno.

Uma passada nos balcones do Palacio de La Inquisición, com uma vista privilegiada da Plaza Bolívar.

domingo, 24 de julho de 2011

Cartagena de Índias: Cerro La Popa

Em nosso último post estivemos falando sobre a visita ao Castillo de San Felipe de Barajas, um dos fortes coloniais mais impressionantes construídos pela Espanha no Novo Mundo. Após essa visita tínhamos resolvido voltar para o casco histórico de Cartagena. E como a manhã já seguia avançada e o calor já estava bem forte resolvemos tomar um táxi para poupar o físico. E se você estiver visitando a Colômbia não estranhe se o taxista lhe oferecer algum tipo de serviço turístico. Foi algo bem comum em nossa estada no país. Pois bem, Raimundo, um chofer muito simpático, terminou nos convencendo a fazermos uma visita que já tínhamos descartado, o Cerro La Popa. Esta colina é a principal elevação de Cartagena, com 150 metros de altura e é o local onde foi construído o Convento de Nuestra Señora de la Candelaria, que é a padroeira da cidade. O convento possui uma capela com um lindo retábulo contendo a imagem da Nossa Senhora, além de museu e um belo jardim interno. Mas o que mais causou interesse foi a linda vista panorâmica que conseguimos ter de Cartagena. Depois do cerro seguimos adiante com o Raimundo, visitando outros locais da cidade. Mas fica para o próximo post. Até a próxima!












domingo, 3 de julho de 2011

Cartagena de Índias: Castillo de San Felipe de Barajas

O Castillo de San Felipe de Barajas é mais uma das visitas obrigatórias em Cartagena de Índias. O forte colonial de 1657 é considerado a mais importante fortificação eregida durante o domínio espanhol. Pode ser avistado de vários pontos da cidade e torna-se muito atraente em virtude de uma linda bandeira da Colômbia que tremula acima de suas muralhas. A fortaleza monumental é muito bem conservada e do alto de seus muros pode-se apreciar lindos visuais de Cartagena, muito bom para fazer fotografias, com destaques para o Centro Histórico, o bairro de Bocagrande e o mar do Caribe.






Bocagrande, a Miami Beach colombiana.






Uma rede de túneis conecta diferentes pontos estratégicos da fortaleza.

domingo, 26 de junho de 2011

Cartagena de Índias ... continua o passeio pelas "calles".

Um dos amigos do Viajando na Patagônia e América do Sul é o Cláudio, blogueiro do Fotografia e Ambiente. No último post que eu escrevi sobre Cartagena de Índias ele deixou o seguinte comentário: "Ao ver estas fotos, a primeira impressão que tenho é pela vontade de sair caminhando sem rumo pela cidade." Acho que com esse comentário o Cláudio sintetizou muito bem o que eu tenho procurado passar a respeito de Cartagena de Índias. É uma cidade maravilhosa e, sem sombra de dúvidas, é muito bom perder-se em suas ruas coloniais, buscar descobrí-las aos poucos e ser surpreendido em seus lindos detalhes.
Para entender um pouco mais sobre a estrutura urbana de Cartagena de Índias, e aproveitar melhor o que eu pude conhecer nesse paraíso, eu busquei algumas informações acadêmicas adicionais a respeito da cidade. Para tanto, eu transcrevo um trecho da dissertação de mestrado de Luisa Duran Rocca, A cidade colonial ibero-americana - a malha urbana, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Faculdade de Arquitetura (2002).
"Os quarteirões são polígonos de diferentes dimensões e formas em função do traçado das ruas. ... O tipo de edifício que predomina é a casa de pátio, que ocupa toda a frente do lote e define uma caixa de rua contínua. Os pátios e os fundos, traspátios, têm abundante vegetação própria do clima tropical. ...
Os lotes maiores, naturalmente correspondem às casas nobres, configuradas ao modo dos palacetes italianos renascentistas. São chamadas localmente de casas altas. Esse tipo tem dois pavimentos. O primeiro para atividades comerciais e moradia dos escravos. Esse primeiro pavimento tem um mezanino chamado de entresuelo. O segundo pavimento é para a moradia dos donos. Tem elaboradas sacadas de madeira, herdadas da tradição canária, e mirantes, próprios das cidades portuárias do mediterrâneo. As casas bajas, ou seja, térreas, correspondem aos bairros de classe média – San Diego – e aos populares – Getsemaní, também se estruturam ao redor de um pátio, no entanto, são menores, com um andar sobre a rua e com possibilidades de um segundo pavimento no interior." 

Réplica da Índia Catalina, junto à casa do Festival
Internacional de Cinema de Cartagena de Índias.
Hotel Charleston Cartagena, que hospeda os "grandões".
O Rei de Espanha era um dos hóspedes daqueles dias.

As casas coloniais altas, as moradias dos senhores abastados, no bairro da Catedral.
Plaza de Santo Domingo, onde está localizada uma das famosas esculturas de Botero.
Pátio interno de um palacete.

Plaza Bolívar, o libertador da América espanhola.
Palacio de la Inquisición, onde esteve instalado o tribunal de castigo do Santo Ofício,
desde 1610. O palácio possui uma esplêndida entrada barroca em pedra.
Atualmente é um museu que exibe os instrumentos de tortura da Inquisição.
Palacio de la Inquisición. A janelinha à direita é chamada de ventana de las denuncias.
Aqui eram jogados bilhetinhos denunciando pessoas ao tribunal da Inquisição.
Pátio interno de uma casa alta. Pode-se apreciar esses lindos pátios internos nas
casas utilizadas como prédios públicos, museus, bancos e hotéis.


Detalhes da estrutura urbana, a caixa de rua contínua e as moradas com sacadas,
mencionadas no texto na dissertação de Luisa Duran Rocca.




Rua com residências coloniais da classe média, de um piso, no bairro de San Diego.
Las Bóvedas, onde funcionavam as masmorras e depósitos de munição. Constitui a última construção
de importância no período colonial (1796). Na atualidade funciona um centro de compras para turistas.
Las Bóvedas.
Monumento à Índia Catalina, homenagem aos índios caribes.
Catalina teria sido a intérprete do espanhol Pedro de Heredia na chegada dos consquistadores.
Aqui fica a principal entrada da cidade histórica, ligando-a com o continente.
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