quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Duas fotos no Torres del Paine - Chile - 2007

Tem muita história de Patagônia que eu ainda nem arrenhei! Por exemplo, a viagem de 2007. Fantástica!

Mas com esse acontecimento dos turistas brasileiros que ficaram retidos por grevistas chilenos lá no Torres del Paine, eu lembrei de duas fotos que eu adoro. Foram feitas durante a visita ao famoso parque chileno, na trilha que leva até a base das torres. Foi um momento supremo daquela viagem! Nem tem mais o que escrever.

A andinista Márcia.

O amigo Frans.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Fotografias lindas de Porto Alegre, absurdas!

Vale divulgar este site que trata de design gráfico. Tem fotos lindas de Porto Alegre; é um absurdo o trabalho dos caras. Acesse - Abduzeedo. A foto abaixo é minha. Um visual a partir do Museu Iberé Camargo.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Viagens de avião - cancelamentos e atrasos - I

Buenas, este é o primeiro post oficial de 2011. Feliz 2011 para quem nos acompanha!

Faz tempo que eu não escrevo algo a respeito do planejamento de viagens. Andei lendo uma matéria interessante no site do Frommer's e apresento aqui um resumo dos tópicos que são importantes para considerar em casos de interrupção das viagens por questões ligadas aos fenômenos meteorológicos e desastres naturais. Você já pensou no caso daquelas pessoas que passaram o Natal presas nos aeroportos em virtude das fortes nevascas que atingiram os Estados Unidos e a Europa? Ou naqueles dias da erupção do vulcão da Islândia? Seguem as dicas, em especial para os "brazucas" que estão cada vez mais utilizando os aeroportos de todo o mundo! Obviamente que estou interessado em viajar de avião ... na América do Sul,    é claro!

1. Ter um seguro
A maioria das apólices de seguro de viagem cobrem atos de Deus como furacões, inundações e nuvens de cinzas! Procure por uma apólice com cláusula de "atraso de viagem" se você estiver mais preocupado em ficar preso no meio da viagem. É melhor do que ter que cancelar a viagem por completo. As companhias de seguros não devolvem apenas o seu dinheiro. As linhas de assistência gratuita podem remarcar seus vôos e encontrar hotéis quando você estiver no prejuízo.

2. Cancelar ou Remarcar
Se você ainda não embarcou no entanto, a maioria das companhias aéreas vão permitir que você remarque ou atrase a viagem. Mas as políticas e os prazos variam de companhia para companhia, e elas não são consistentes.

3. Manter um dinheiro disponível
É uma boa idéia ter no bolso o valor de pelo menos três dias de recursos financeiros para qualquer eventualidade. Verifique se o seu cartão Multibanco funciona em seu destino e passe algum dinheiro adicional para a sua conta corrente antes da viagem para que não seja apanhado de surpresa.

4. Conhecer os seus direitos
A União Européia (UE) e o Canadá têm leis que podem ajudar os viajantes encalhados. Os EUA, notavelmente, não. (Nota do blog: veremos em outro post como funciona no Brasil)
A UE tem a maior proteção para os passageiros. As proteções da UE se aplicam se você estiver voando de um aeroporto da UE, ou se você está voando para a UE com uma companhia de bandeira da UE. Se um vôo foi cancelado ou sujeito a um "atraso" (que é de 2-4 horas, dependendo do destino), os passageiros podem manter contato com duas pessoas de fora do aeroporto e obter refrescos e quartos de hotel às custas da companhia aérea. Entretanto não existe limite de tempo para colocá-lo no ar!
No Canadá, se seu vôo atrasar mais de quatro horas, as companhias aéreas devem dar aos passageiros um vale refeição. Se ela está atrasada mais de oito horas e durante a noite, a companhia aérea deverá pagar por um hotel, mas só se você estiver no meio de uma viagem.
Mas, além desses países, basicamente você está à mercê de sua companhia aérea. Muitos países subscrevem a Convenção Internacional de Montreal, que prevê até 6.176 dólares em compensação por atrasos nas viagens. Mas o tratado diz que os transportadores "não devem ser responsabilizados", se "tomaram todas as medidas que poderiam razoavelmente ser exigidas para evitar o dano ou que era impossível para ele ou eles tomarem tais medidas." As circunstâncias extremas, como as erupções de vulcões, geralmente se encaixam na categoria de "impossível". E se você quiser obter compensação, poderá ter que processar a companhia aérea. Você pode encontrar compromissos do prestador de serviço em seu Contrato de Transporte, que a companhia aérea deve oferecer a seu pedido.

5. Mover-se rápido ou ficar
Modos alternativos de viagem enchem muito rapidamente quando há uma catástrofe de grandes proporções. Se você pode encontrar uma rota alternativa rápida, é possível ficar de fora da zona de problemas, mas o seu improviso de trem ou viagem de ônibus não poderá ser reembolsado pela sua operadora. A menos que esteja em perigo físico imediato, permanecer onde está até os vôos regularizarem é quase sempre mais barato do que tentar encontrar seu próprio caminho para resolver o problema.

6. Ou apenas ser flexível
Isso se você está disposto a mudar seus planos e não está com demasiada pressa ...

Traduzido e adaptado de:
When Weather Interrupts Your Trip: 6 Things to Do.
Sascha Segan - www.frommers.com


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Machu Picchu e fotografias de Hiram Bingham

No último dia em que estivemos em Cusco fizemos algumas caminhadas pela cidade e eu aproveitei para comprar um livro sobre Machu Picchu. O livro chama-se "Machu Picchu, la ciudad perdida de los incas", por Hiram Bingham. O título original da obra é "Lost City of the Incas". 
Esse livro é o relato do Professor Bingham a respeito da descoberta de Machu Picchu em 1911. Portanto, no ano de 2011 será completado o centenário de um dos maiores achados arqueológicos de todos os tempos. Eu cheguei a ver no Museu Inca uma linda fotografia do sítio arqueológico na época de sua descoberta, no momento em que o Sr. Bingham e sua equipe começavam a realizar a limpeza da vegetação que crescera sobre as construções, provavelmente na expedição que se seguiu, em 1912. Depois fiquei sabendo que existem mais de 12.000 fotografias documentando as expedições de 1911, 1912 e 1914/1915. Lamentei o fato da edição do livro que eu comprara ter substituído as 12 fotografias originais feitas pelo Professor Bingham e trocado-as por fotografias modernas. Desta forma resolvi procurar alguns arquivos dessas imagens  que estão disponíveis em determinados sites na internet. Apresento algumas dessas mais abaixo.
E dessa singela busca pelas fotografias terminei conhecendo uma polêmica envolvendo a exploração  de Machu Picchu. Duas discussões importantes nós já conhecíamos a partir das explicações dos guias peruanos. Machu Picchu nunca foi uma cidade "perdida", mas apenas uma cidade abandonada por seu povo, ainda no princípio da invasão espanhola. Os povos indígenas que continuaram habitando o vale do rio Urubamba sempre souberam a respeito de sua existência. Inclusive foram indígenas que viviam nesse vale que conduziram o historiador Hiram Bingham até a cidade. Esses indígenas faziam uso de alguns dos andenes de Machu Picchu para os seus cultivos. Portanto, o Professor Bingham é considerado o "descobridor científico" da cidade, pois foi o primeiro a estudá-la, mapeá-la e divulgá-la ao mundo. 
A segunda polêmica reside no fato de que o Sr. Bingham retirou do Perú aproximadamente 4.000 objetos arqueológicos, entre cerâmicas, objetos de metal, ossos humanos etc., levando-os para a Universidade de Yale, nos Estados Unidos, para estudos científicos. A licença fornecida pelo governo peruano teria uma validade de 18 meses, mas já transcorreram quase 100 anos e esses objetos nunca foram devolvidos ao país de origem. Recentemente, após duras batalhas e fervorosas discussões empreendidas pelo povo peruano, no mês de novembro passado, foi anunciado um acordo entre a Universidade de Yale e o Governo do Perú para repatriar os objetos arqueológicos. Embora exista uma crescente tendência internacional para os casos de espoliação arqueológica, caso do Perú, Egito e de tantos outros países pobres que foram saqueados de seus tesouros culturais por exploradores de diversas nações "desenvolvidas", resta saber se o acordo será efetivamente cumprido!
A terceira polêmica eu fiquei conhecendo nos últimos dias, justamente por estar procurando as fotografias antigas. Em 2008 foi divulgado por um pesquisador independente, Paolo Greer, de que o verdadeiro descobridor de Machu Picchu teria sido um engenheiro alemão chamado Augusto R. Berns, que pelo que se sabe teria conduzido um "empreendimento" como saqueador de tumbas incas no Perú, um "huaquero", em especial no vale do Urubamba. Isso 40 anos antes de Bingham chegar em Machu Picchu. Só que no próprio livro do Dr. Bingham ele admite, em mais de um trecho, que durante o período de esquecimento da cidadela, outros deveriam tê-la visitado e saqueado objetos de grande valor.
Seja qual for a polêmica em torno da descoberta científica e dos métodos empregados pelo Dr. Hiram Bingham, é inegável a sua contribuição para a divulgação de Machu Picchu, alavancando esse sítio arqueológico para uma condição de renome internacional na ciência e no turismo e passando a ser considerado uma das grandes maravilhas produzidas pelo ser humano no mundo.

Hiram Bingham, o descobridor científico de Machu Picchu.
Deslocamento da expedição de 1911.
Machu Picchu, como foi encontrada pelo Professor Bingham em 1911.
Escavações em Machu Picchu, Expedição de 1912.
Templo do Sol. Após as escavações em 1912.
Operações de limpeza da vegetação durante a expedição de 1912.
Machu Picchu, após as operações de limpeza da vegetação em 1912.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Expedição Inti & Killa II - últimos dias

No dia anterior havíamos ingressado na Argentina, após um rápido trajeto de dois dias pela Bolívia. Não cheguei a comentar no post anterior, mas novamente as atividades de fronteira, a quinta da viagem, foram cansativas. Tanto do lado boliviano como no lado argentino ficamos esperando bastante tempo até descobrir onde, quando e quem iria nos atender. Mas acima de tudo, estávamos felizes por regressar à Argentina, país pelo qual criamos grande afeição desde a nossa primeira visita em 2005.
Pernoitamos em Tilcara e não tivemos horário para acordar, pois o dia anterior tinha sido bem exigente e era necessário um bom descanso. Pela manhã fizemos tudo em ritmo tranquilo, tomamos nosso café na santa paz e partimos da hosteria na direção de Salta sem muita pressa. Aproveitamos para visitar a boa feira de artesanato no centro de Tilcara, fazendo compras de algumas lembranças para a família e amigos.
De Tilcara fomos rapidinho até Salta, pois a distância é de apenas 163 quilômetros. Chegamos logo no início da tarde e de cara aproveitamos para abastecer o carro, já pensando na preparação da etapa de retorno. Depois de abastecer ainda gastamos quase uma hora até conseguirmos um hotel próximo do centro histórico da cidade, pois queríamos fazer os passeios à pé, sem depender do nosso jipe. Terminamos conseguindo hospedagem no Hotel Bonarda, localizado a tão somente duas quadras da Plaza Central! Esse hotel foi um dos melhores da viagem, de boa categoria e destacado pelo atendimento cordial de seus funcionários. Suas instalações são interessantes, pois apresentam uma combinação harmoniosa entre o estilo tradicional e a decoração moderna, tudo reunido numa casa histórica de princípios do século passado.
Resolvidas as questões de ordem prática, fomos às "calles"! Salta, "La linda", já era nossa conhecida da viagem ao Atacama, em 2007. Como a cidade tinha deixado uma impressão muito boa daquela época, resolvemos incluí-la em nosso roteiro, porém com um propósito bastante específico: conhecer os "Los Ninõs del Volcán Llullaillaco" no Museo de Arqueologia de Alta Montaña. Os "ninõs" são três das mais perfeitas e impressionantes múmias já encontradas por arqueólogos, seja aqui na América do Sul ou em qualquer outro lugar do mundo! Essas crianças foram oferecidas em ritual inca de sacrifício, no cume do vulcão Llullaillaco, em plena Cordilheira dos Andes, a 6.730 metros de altitude! Pois além dessas múmias serem das mais impressionantes já encontradas pela humanidade, o conjunto de roupas e objetos que elas portavam em seus túmulos está intacto e preservado. Esse foi um dos pontos altos da viagem e foi muito emocionante conhecer toda a história que envolveu essas crianças. Tivemos a oportunidade de conhecer "La Niña del Rayo", uma vez que elas nunca são apresentadas juntas, havendo a cada três meses a troca no expositor especial que as mantém em condições ambientais controladas. Também toda a coleção do museu é muito rica e compensa  gastar no mínimo umas duas horas para a visitação.
Após a visita ao museu entramos na "fase de relaxamento final". Sentamos num dos cafés da linda Plaza de Armas e pedimos uma cerveja Salta "rubia" bem gelada. Sim, por aqui tem uma cerveja local que vale experimentar! Ficamos por ali, batendo um papo, curtindo o visual dos prédios históricos e rememoramos os lindos momentos dessa expedição que estava terminando com sucesso.
Nos três dias que se seguiram, 23, 24 e 25 de setembro, percorremos os 1.800 quilômetros de estrada que nos separavam de Porto Alegre. Nesse trajeto vencemos o Chaco, considerado aborrecido por muitos, e pernoitamos na cidade de Presidencia Roque Sáenz Peña, uma ótima referência com muito boa estrutura para viajantes nessa região. Tivemos mais um pernoite já no Brasil, na cidade de Santana do Livramento, e no terceiro dia concluímos com extremo contentamento mais uma fantástica viagem por esse  fabuloso continente, a América do Sul. 
Com este post eu encerro o relato da viagem e agradeço imensamente a todos aqueles que visitaram o blog e leram essa nossa história. Agradeço em especial os comentários, os elogios às fotografias e todo o incentivo que recebemos dos seguidores e de blogueiros que nos acompanharam. Peço desculpas por erros que eu tenha cometido no uso da linguagem escrita ou pela demora em postar as informações, pois o intento era fazer a viagem e ir relatando durante o seu desenrolar. Só que eu descobri que na prática isso é muito dificil, começando pelas conexões de internet que nem sempre são boas. Assim os atrasos foram se acumulando nas postagens e depois, na volta ao trabalho, faltava tempo para colocar os textos em dia. Mas mesmo assim, com todas as dificuldades, valeu a experiência! 
Nos próximos posts pretendo abordar alguns assuntos que continuo estudando a respeito de Machu Picchu e os segredos que envolvem o seu descobrimento. Aos poucos também pretendo completar posts das outras viagens que fizemos. Abraços a todos, Feliz Natal e Próspero 2011!


"La Doncella" - Autoria desconhecida.
"El Niño". Autoria desconhecida.


"La Niña del Rayo" - Autoria desconhecida.

Cafés na Plaza de Armas - Salta

Vai uma Salta "Rubia"?
Quem disse que o Chaco não pode ser bonito?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Expedição Inti & Killa II - Décimo-sétimo e décimo oitavo dias - 20/09/2010 e 21/09/2010 - III

Dia 21 de setembro. Partimos às cinco e meia da matina de Challapata seguindo para Potosi. Ainda bem que não seguimos dirigindo durante a noite do dia anterior, pois depois de Challapata encontramos uma estrada cruzando serras muito íngremes e com curvas perigosas!
Depois de passarmos por Potosi rodamos em rípio e trechos de estrada asfaltada, com muitas obras e desvios, até Villazón.  Em breve vai dar para seguir pelo sul da Bolívia até o Peru utilizando essas estradas totalmente asfaltadas. Lá pelas cinco da tarde estávamos dando o adeus para a Bolívia e abraçando a Argentina! Ainda não era o nosso Brasil, mas pareceu que tínhamos chegado em casa!  Ficamos muito felizes em reencontrar as lindas cores da Quebrada de Humahuaca! 
Tocamos noite adentro e chegamos em Humahuaca, mas ficamos frustrados, pois a cidade estava cheia em virtude de um concurso da miss Jujuy e ficou difícil conseguir um hotel. Então rodamos mais uma hora e pouco até Tilcara, encontrando uma boa hosteria de cabanas próximo da cidade, El Portal de La Quebrada. Jantamos um bom bife de chorizo com uma Quilmes bem gelada! O sono foi dos deuses!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Expedição Inti & Killa II - Décimo-sétimo e décimo oitavo dias - 20/09/2010 e 21/09/2010 - II

Dia 20, ainda. Depois dos desafios impostos pela fronteira boliviana seguimos em frente na direção de La Paz, localizada uns 100 quilômetros adiante. E não tínhamos nenhuma intenção de visitar a maior cidade do país. Somado a isso ficamos bastante preocupados com a perda de tempo que tivemos na aduana, pois eu tinha idéia de tocar até Potosi, mas com o tempo gasto já começara a pensar nas alternativas que teríamos no caminho.
Até La Paz seguimos tranquilos pela Ruta 1, mas quando chegamos na região metropolitana a coisa esquentou. La Paz é uma cidade grande, com mais de dois milhões de habitantes e um trânsito muito caótico. E nessas condições, mesmo com o auxílio do GPS, eu não poderia errar o caminho, pois isto representaria mais perda de tempo e dores de cabeça para voltar à estrada. Enfrentamos avenidas com tráfego pesado e engarrafamentos de carros, vans de transporte coletivo, caminhões e muitos, mas muitos pedestres caminhando e correndo por entre os veículos. Rezamos para não enfrentarmos uma colisão ou atropelamento, coisa que parece muito fácil de acontecer! Fomos seguindo devagar, com muita atenção, não erramos o caminho e aos poucos fomos nos afastando do centro urbano. Ufaaa!!!
Depois da capital de fato esperava caminho livre até Potosi, mas já estava pensando numa alternativa onde poderíamos dormir para não viajar durante a noite. Porém, o tráfego após La Paz continuou pesado, com muitos caminhões na estrada nos dois sentidos e grande dificuldade para fazer as ultrapassagens, pois a estrada está localizada numa região de colinas, com subidas e descidas constantes. Depois que passamos por uma estação de pedágios começei a vencer vários caminhões e acelerei mais para retomar o ritmo de viagem. E aí foi o nosso azar! Quando começamos a descer o topo de uma dessas colinas fomos apanhados por uma patrulha rodoviária! Um dos guardas agitou vigorosamente uma bandeira vermelha fazendo sinal para encostarmos. Pensei comigo mesmo: "Agora estamos ralados!!!". Eu não tinha nada para discutir, pois vinha a uns 110 km/h e o limite era de 80. Quando paramos os guardas deram uma dura danada, mostraram o registro no radar e um livreto com a legislação que tínhamos infringido. Falou que teríamos que retornar até o posto policial para preenchimento da multa, etc, etc. Eu fiquei frio, calmo e submisso, pois isto seria o caos para nós! Ainda assim, resolvi arriscar e perguntar se não poderia pagar a multa alí mesmo. Bom, foi a deixa que ele queria ouvir. Mandou que eu descesse e fosse até a viatura. O discurso mudou radicalmente e tudo ficou mais calmo. Disse que não queria nos causar prejuízo e se pudéssemos alcançar uma importância tudo estaria resolvido. A multa era de 200 bolivianos! Voltei para o carro pensando rápido e conversei com a Márcia. Nosso dinheiro estava contadinho, mas não tínhamos outra alternativa. Era pagar ou ficar encrencado com a polícia naquele cafundó. Achei que poderíamos alcançar 100 bolivianos e se precisássemos poderíamos fazer novo câmbio em Potosi. Voltei até o carro da patrulha e ofereci a quantia. Disse que era o que dispunha, pois tinha mais despesas no caminho. O patrulheiro pegou a grana e devolveu a minha carteira de motorista. Advertiu-me para que eu dirigisse devagar e que só estava querendo ajudar! Não queria que eu ficasse com má impressão do país. Tá bom! Agradeci e disse que tomaria mais cuidado com a velocidade. Voltei para o carro e tratamos de cair fora rapidinho. Ainda que essa situação tenha sido "resolvida" com o menor prejuízo para a viagem, andamos muitos e muitos quilômetros amuados com aquele episódio. Nesse tipo de situação, que não era a primeira vez que enfrentávamos em nossas viagens, a gente fica muito desprotegido e com uma sensação de insegurança muito grande. Também não é nada agradável ter que pagar propinas, mas a desvantagem da situação é tal e a encrenca pode se tornar tão grande que o negócio é tentar encerrar a situação o mais rápido possível. Alguém já viu aquela série "Férias na Prisão"?!!
Seguimos mais devagar e passamos por Oruro. Seria um bom local para o pouso, mas ainda era cedo para encerrar o dia e resolvemos seguir em frente. Quando a noite já estava caindo encontramos uma alternativa para dormir em Challapata, num hotelzinho muito, muito simples, o Residencial Diar. Porém tinha o básico e necessário: uma cama limpa para dormir, banho e um lugar para guardar o carro. No dia seguinte, 21, acordamos às 5 horas da manhã para terminar o capítulo da Bolívia. Valeu!


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