sábado, 13 de dezembro de 2008

Gauchito Gil: o protetor das viagens patagônicas!!!






Não sei se fomos nós que o escolhemos como protetor das viagens, ou se foi ele que nos escolheu como os seus protegidos; o certo é que, depois das viagens realizadas pela Patagônia e pelo Atacama, criamos uma identidade com o santo popular Gauchito Gil. Como brasileiros do Rio Grande, a simpatia pelo santo gaudério foi imediata, logo depois que conseguimos decifrar o significado daqueles intrigantes santuários, com as capelinhas e flâmulas vermelhas, espalhados nas beiras das estradas da Patagônia e noutras regiões da Argentina.
Para reforçar essa simpatia natural, no ano de 2007, quando viajamos para o Atacama, ao atravessarmos a Província de Corrientes, literalmente “demos de cara” com o Gauchito na Ruta 123, nas proximidades da cidade de Mercedes. Rumávamos na direção da capital Corrientes, quando então passamos reto por um modesto casario na beira da estrada, um casario de cores vermelhas, bandeiras, barraquinhas, muitas pessoas circulando, vários carros estacionados ... curioso, muito curioso, no mínimo. Falei com a Márcia e decidimos dar a volta para ver do que se tratava. Marcamos um ponto, pois no local existe uma importante manifestação cultural da fé popular na Argentina!
Naquele ponto está localizado o túmulo do Senhor Antonio Gil Nuñez, o Gauchito Gil, em formidável templo popular para homenagem do santo, que é visitado por milhares de pessoas todos os anos, pagadores de promessa, romeiros e, é claro, viajantes, como nós, que pedem a proteção do santo nas viagens pelas “rutas argentinas”. A partir daquele dia passamos a carregar uma fitinha vermelha, amarrada no espelho retrovisor, em homenagem ao protetor das nossas viagens patagônicas!!!
Nas fotos, o Santuário do Gauchito Gil, na Província de Corrientes, e depois o amigo Fernando, às margens da Ruta 3, na estepe patagônica, junto de uma modesta capelinha do santo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Mapas das “Rutas”


Os mapas são essenciais para se fazer uma boa viagem rodoviária. A não ser que você seja um excepcional conhecedor do trajeto nas estradas. Não é o meu caso; portanto, adoro meus mapas!
Para fazer o esboço da Patagón I, II, III e Inti & Killa (Deserto do Atacama) eu utilizei o Guia Quatro Rodas do Mercosul, pois seu formato permite uma visualização excelente da região, ainda que não apresente um detalhamento maior, em função da escala que se faz necessária para abranger todo o Mercosul. Depois surgiu um refinamento tecnológico com o uso do Guia YPF 2005 – Argentina, que além de apresentar um livro com diversos mapas das regiões do país e das principais cidades, vem com um CD interativo através do qual é possível instalar um programa de computador, “desenhar” e imprimir os trajetos a partir dos pontos de início e término da viagem. Outra ferramenta cartográfica de ótima qualidade é o Guia Quatro Rodas Rodoviário – 2007, com abrangência do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. Assim como o Guia YPF, permite traçar roteiros de viagem a partir de pontos de partida e chegada em qualquer dos países citados. Possui algumas falhas de cartografia, detectadas quando eu tentei fazer uns roteiros para o sul do Chile e em alguns outros pontos, entretanto, é um ótimo investimento para o planejamento de viagens. Para o Chile também utilizei um guia de rutas da COPEC, que opera ampla rede de postos de abastecimento de combustível e lojas de conveniência ao longo da várias estradas do Chile, principalmente na Panamericana, onde tivemos maior contato com os serviços dessa rede.
Existem outros guias rodoviários disponíveis no mercado; escolha os seus e faça uma viagem segura!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

São José dos Ausentes – Pousada Fazenda Cachoeirão dos Rodrigues



Aproveitando o clima familiar e a hospitalidade da Pousada Fazenda Cachoeirão dos Rodrigues escrevo algumas linhas para falar desse impressionante local. Escolhemos passar o aniversário da Márcia aqui, nos píncaros do Rio Grande do Sul, em São José dos Ausentes. Não é a primeira vez que aqui chegamos e tampouco será a última. A atenção que os proprietários da pousada, Seu Tonico, Dona Rosane e Samuel, filho do casal, dedicam aos hóspedes é algo incomum e marcante. Dificilmente encontraremos anfitriões tão carinhosos assim em outro lugar. Parece que desde o primeiro momento em que se entra na antiga casa rural já nos fazem sentir parte da família. As refeições saborosas e fartas são outro destaque da pousada, pois Dona Rosane é uma cozinheira de mãos cheias. Peçam para ela fazer umas “bijajicas”, um quitute da Serra, e provem com um bom café quente!!! Meus Deus, é ótimo, hehehe!!!

Bom, como se não bastasse, a Pousada está localizada num dos mais belos rincões deste Rio Grande. A aconchegante casa rural fica junto ao rio Silveira, praticamente no topo do belíssimo Cachoeirão dos Rodrigues, que é de tirar o fôlego. Passamos esses dias fazendo trilhas nos Campos de Cima da Serra, visitando lindos bosques de araucárias, avistando diversos animais selvagens e, é claro, tomando refrescantes banhos de cachoeira. De quebra ainda conhecemos um outro hóspede, grande viajante patagônico, Elton Warken, de Novo Hamburgo, que já visitou mais de vinte vezes a Patagônia!!! Num agradável bate-papo trocamos impressões sobre aquele território maravilhoso e também tomamos dicas importantes para nossas próximas viagens. Bom, quem vem para Ausentes e já viajou pela Patagônia não deixa de sentir um certo “ar patagônico” no ambiente, pois as paisagens são amplas e a vista se perde no horizonte sem fronteiras. Sem sombra de dúvidas, foi uma ótima escolha e a Márcia adorou esse aniversário “sui generis”. Eu também!!!

Na lista dos links do blog registramos o site de turismo do município de São José dos Ausentes, onde é possível encontrar informações interessantes e úteis a respeito da região.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Os veículos!!!


Bem, fazer toda uma aventura automobilística pela Patagônia e não falar dos veículos que nos conduziram seria uma heresia!!! Eu já havia comentado anteriormente em outro post que eu fazia uma idealização a respeito do veículo nesse tipo de viagem. Sempre pensava que deveria ser o proprietário de um 4x4, que este seria o veículo mais conveniente e adequado (e no fundo, até é, mesmo), que assim teria mais “cara de aventura”, etc etc. Só que isso terminava por bloquear as possibilidades, em função do elevado custo/benefício desse tipo de veículo. Ou seja, faltava grana para ter o veículo ideal.
O que fazer então?! Viajar com o veículo disponível! Essa possibilidade materializou-se na figura do nosso Fiat Palio Adventure 1.8 – gasolina - modelo 2004. A Palio mostrou-se um carro excelente, com sua suspensão reforçada, maior altura do solo do que os veículos de passeio normais, pneus off-road 50% e um excelente motor de 103 cv. Um carro muito confiável, que inclusive nos permitiu encarar com segurança a famosa Ruta 40, no segmento de rípio entre El Calafate e Rio Mayo, trecho tão desejado pelos aventureiros dos confins patagônicos. O nosso parceiro de viagem, o Fernando, utilizou sua Palio Adventure 1.6 16V – modelo 2002, outro excelente veículo, apelidada durante a viagem de “coche gris”. Mais adiante eu explico melhor essa história do “coche gris” e do “coche rojo”!!!
Mas, para finalizar este post, não deixe de viajar para a Patagônia por não possuir um veículo off-road; essa é a minha mensagem!!!

sábado, 8 de novembro de 2008

O trajeto da Expedição Patagón



A Expedição Patagón I percorreu aproximadamente 10.000 km entre a ida e o retorno da Patagônia. Conforme havia comentado em post anterior, o planejamento inicial sofreu alguns ajustes durante o transcurso da viagem.

Em primeiro lugar tivemos que alterar a nossa entrada na Argentina. Inicialmente prevista para ser feita através de Paysandú (Uruguai) - Colón (Argentina) foi alterada para Uruguaiana (Brasil) - Libres (Argentina). Isto porque em meados de fevereiro de 2006 argentinos e uruguaios entraram num conflito motivado pela construção de fábricas de celulose na fronteira entre os dois países, as "papeleras" no Uruguai. Ambientalistas argentinos da Província de Entre Rios, contrários aos empreendimentos industriais, bloquearam as pontes internacionais General Artigas (Paysandú - Colón) e General San Martin (Mercedes - Gualeguaychú), impedindo a comunicação entre os dois países. Interessante é que até hoje, em 2008, a Ponte Internacional General San Martin continuava bloqueada! "No te dejan pasar!" Os argentinos, quando protestam, é prá valer!!!

A segunda alteração substancial do roteiro foi evitar Buenos Aires. Os veículos estavam revisados e seria desnecessário entrar na metrópole por qualquer motivo que fosse. Então, escolhemos passar o empalme de Zarate /Campana, seguindo até a simpática Mercedes. Foi uma ótima alteração!

A próxima alteração deu-se a partir de Mercedes. Não seguimos o litoral da Província de Buenos Aires como se pensava no início. Optamos por tomar a Ruta 5 e seguir em direção a Trenque Lauquen e depois pela Ruta 33 até Bahia Blanca, onde pernoitamos. De Bahia Blanca tomamos a Ruta 22 e depois a 251 até Puerto Madryn, ao invés de passar imediatamente para a Ruta 3.

Seguindo adiante, depois do pernoite em Puerto San Julian, evitamos a cidade de Rio Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, pois até onde eu fiquei sabendo não existe nada de muito interessante para conhecer no local, servindo apenas como ponto de logística para o viajante que passa pela região. Obviamente é uma cidade importante, mas sem interesses do ponto de vista turístico. Seguimos direto para El Calafate.

A última modificação no roteiro ocorreu após a cidade de Neuquén, que também não estava prevista na viagem, quando ao invés de voltarmos em direção à cidade de Bahia Blanca, optamos por seguir via Santa Rosa, capital da Província de La Pampa. Também foi muito interessante conhecer a simpática cidade pampeana.

A figura mostra o trajeto definitivo da viagem e assim fica mais fácil para entender! Muitas dessas alterações resultaram de um estudo mais detalhado dos mapas rodoviários, principalmente aqueles disponibilizados pelo Guia YPF da Argentina e também no site disponível na internet www.guiaypf.com/.



Conhecendo 5 biomas argentinos



Um dos meus interesses na viagem para a Patagônia era conhecer um pouco mais a respeito das atrações naturais da região, um tanto óbvio, é claro! Mas se deixasse para me ocupar dessa atividade apenas nos locais de interesse sobraria um tempo bem menor, pois grande parte do período seria utilizado nos deslocamentos de carro pelas “rutas”. Assim, sabendo que iria percorrer longas distâncias nas estradas e que, segundo alguns relatos de outros viajantes, isso poderia ser algo tedioso, procurei estudar um pouco a respeito dos biomas da Argentina. Desta forma, na estrada mesmo, poderíamos aproveitar as paisagens que estivessem em nosso trajeto, observando as características de cada área, as formações vegetais e fazendo avistamentos de animais. Isso tornou-se uma idéia bem interessante, pois a Expedição Patagón percorreu cinco biomas da Argentina em seu trajeto, sendo que todos puderam ser bem identificados e reconhecidos. Criamos assim um entretenimento proveitoso para enfrentar as longas estradas e, pelo menos para mim, muitíssimo fascinante, afastando por completo a possibilidade de tédio na viagem.

Biomas percorridos:

1. Estepes e Campos Pampeanos

2. Espinilho e Parque Mesopotâmico

3. Monte

4. Estepe Patagônica

5. Bosques Andino Patagônicos


domingo, 2 de novembro de 2008

Sugestão de Check List


Um check list é algo muito pessoal e vai depender dos propósitos da viagem. De qualquer forma eu sempre dou uma olhada nos check lists de outros viajantes e elaboro o meu de acordo com as minhas necessidades. A lista que segue abaixo pode ser útil para quem vai viajar de carro para a Patagônia do final da primavera até o início do outono. Se for o caso de viajar no inverno serão necessários outros cuidados, pois as correntes de pneus serão obrigatórias, além de fluídos especiais do veículo para as baixas temperaturas.


Pessoal:
carteira de identidade, carteira de motorista, permissão internacional p/ dirigir (Chile), cartão de crédito internacional, relógio, óculos solar, canivete, chapéu e gorro (frio), bota de caminhada, tênis, sandália, chinelo, calça jeans, bermuda, roupa de banho, meias, camiseta, blusão, casaco impermeável para chuva (anorak), luva, toalhas de banho e rosto, mochila de ataque (25L), bolsa de viagem (flexível), travesseiro, máquina fotográfica, cartão de memória, DVD/CDs virgens, tripé, bolsa para equipamento fotográfico, pilhas recarregáveis, carregador, notebook, cabo USB, binóculo, telefone celular, carregador de telefone, agulha, linha
Camping:
saco de dormir, lona plástica, panela, prato, talheres, caneco, isqueiro, fogareiro, refil de gás, cantil, bombona de água, cobertor, lanterna, potes plásticos, espetos, grelha, cuia, bomba, garrafa térmica, aquecedor portátil elétrico, abridor de latas, candeeiro, rolo de cordão, pá portátil, corda de varal, prendedores

Veículo:
documentos em nome do motorista, seguro total, seguro carta verde, autorizações consulares (p/ veículo alienado), fones de embaixadas, legislação de trânsito e recomendações da Argentina, 2 estepes, 2 triângulos, extintor de incêndio, caixa de primeiros socorros, cambão ou cabo de reboque 2 – 3 metros, fósforos, caixa de ferramentas, lixa, arame, martelo, fita isolante, extensores, fusíveis, saco de estopa, óleo do motor, galão de combustível reserva, cabo ponte, chaves extras do carro, cadeados, reparador instantâneo de pneus, rádios portáteis, GPS, mapas e guias, canetas, lápis, bloco de notas, silver tape, contact, bússola, música (CDs, mp3), som portátil, planilha e anotações, agenda de telefones importantes (participantes)

Alimentação:
massa instantânea, sopa instantânea, bolachas, chá, café , instantâneo, sal refinado e grosso, açúcar, leite em pó, suco, chocolate em pó, pão de sanduíche, erva-mate, barra cereais, banana passa, atum/sardinha em lata, salame italiano, queijo, frutas

Higiene e limpeza:
papel higiênico, sabonete, pasta de dentes, escova de dentes, cotonetes, barbeador, creme de barbear, fio dental, pente, escova, cortador de unhas, xampu, creme hidratante, desodorante, detergente, esponja, rolo de papel, sacos de lixo, panos de prato, panos de limpeza, esponja

Farmácia:
protetor solar, protetor labial, repelente contra insetos, mat-inset, analgésico, antitérmico, pastilhas para garganta, comprimidos contra diarréia, comprimidos contra enjôo, buscopan, pomada anti- inflamatória, emplastro, micropore, esparadrapo, gaze, atadura, termômetro

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